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Publicado em 18/10/2016 às 00:00:00 - Atualizado em 18/10/2016 ás 00:00:00

 

Kaakutja, a primeira vítima fatal de um bumerangue


Estudo descreve a morte de um australiano, por volta do século XIII, durante um ataque surpresa de inimigos armados com a arma rudimentar

 

Um australiano que morreu por volta do século XIII pode ter sido a primeira vítima de um bumerangue. Encontrado em Nova Gales do Sul, na Austrália, seu crânio mostrava a mandíbula aberta, como pedindo socorro, e os pesquisadores decidiram investigar as causas da, provável, morte violenta. O estudo, que descreve como Kaakutja, nome que recebeu o esqueleto, pode ter sucumbido a vários golpes de um rudimentar bumerangue de madeira, foi publicado na edição de outubro da revista Antiquity, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. A pesquisa pode ajudar a decifrar como se deram as brutais lutas entre os homens do passado. 

 

A princípio, acreditava-se que os ferimentos de Kaakutja (que significa “irmão mais velho” em dialeto aborígene) teriam sido causados por alguma arma de metal afiado, como um facão ou uma espada, utilizadas pelos colonizadores britânicos durante a chegada ao território. Contudo, testes realizados por Michael Westway, paleoantropólogo da Universidade Griffith, na Austrália, e sua equipe revelaram que ele havia morrido meados do século XIII, cerca de 600 anos antes dos colonizadores ingleses chegarem. Lutas entre grupos locais, portanto, poderiam ter provocado a morte violenta. 

 

“Estas armas de madeira deixam padrões de ferimentos semelhantes às armas de aço, o que era inesperado”, disse Westway, em entrevista ao jornal americano The New York Times. 

 

Golpes de bumerangue

 

Segundo o estudo, os bumerangues de combate, conhecidos como ‘Lil-Lils’ e ‘wonnas’, têm lâminas que poderiam caber nas dimensões encontradas no esqueleto, além de existir a possibilidade de causarem ferimentos fatais.

 

A pesquisa apresenta ainda a possível sequência de golpes em Kaakutja. O lado direito de seu rosto, provavelmente, foi o primeiro local a ser atingido. Os pesquisadores acreditam que essa batida na face resultou na projeção do seu globo ocular para fora da cavidade óssea e, consequentemente, na perda de grande quantidade de sangue do homem.

 

As costelas foram atingidas em seguida e algumas se quebraram. Neste momento, provavelmente, Kaakutja estava agachado e, possivelmente, com muita dificuldade para respirar. A terceira pancada o atingiu na parte superior do braço e quebrou parte dos ossos. Sem forças, Kaakutja morreu. O esqueleto não demonstra marcas aparentes de tentativas de defesa, o que leva os cientistas a acreditar que ele foi vítima de um ataque surpresa.

 

Outra evidência que ajudou os pesquisadores a recontar a história foram as pinturas rupestres encontradas perto do local de onde estava o esqueleto. Elas descreviam dois povos aborígenes diferentes segurando escudos, tacos e bumerangues.

 

Depois da análise dos restos mortais, Kaakutja foi devolvido ao local onde havia sido encontrado e enterrado em uma cerimônia tradicional de seu povo.

 

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