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Publicado em 28/11/2016 às 00:00:00 - Atualizado em 28/11/2016 ás 00:00:00

 

Enquete de Fátima Bernardes só serviu para polêmica – e audiência


Código de Ética Médica veta a escolha proposta pela apresentadora na Globo: atender primeiro um policial ou um traficante e põe risco de vida como critério

 

Um dos temas mais discutidos na última semana, a enquete proposta por Fátima Bernardes em seu programa na Globo, quando perguntou aos convidados se escolheriam, se fossem médicos em um pronto-socorro público, salvar um policial ou um traficante, não teve outra função que não a de criar controvérsia – e, é claro, repercussão e audiência para o Encontro com Fátima Bernardes. Uma rápida leitura no Código de Ética Médica, disponível no site do Conselho Federal de Medicina, deixa claro que um médico deve atender primeiro quem estiver em pior estado de saúde. Caso, na enquete de Fátima, do traficante.

 

Um dos temas mais discutidos na última semana, a enquete proposta por Fátima Bernardes em seu programa na Globo, quando perguntou aos convidados se escolheriam, se fossem médicos em um pronto-socorro público, salvar um policial ou um traficante, não teve outra função que não a de criar controvérsia – e, é claro, repercussão e audiência para o Encontro com Fátima Bernardes. Uma rápida leitura no Código de Ética Médica, disponível no site do Conselho Federal de Medicina, deixa claro que um médico deve atender primeiro quem estiver em pior estado de saúde. Caso, na enquete de Fátima, do traficante.

 

No Capítulo V, sobre a relação com pacientes e familiares, o artigo 33 diz, de forma semelhante, que é vedado ao médico “Deixar de atender paciente que procure seus cuidados profissionais em casos de urgência ou emergência, quando não haja outro médico ou serviço médico em condições de fazê-lo”. Ou seja, se não puder repassar o atendimento, o médico deve cuidar do paciente que precisa de socorro.

 

Nesse mesmo capítulo, logo a seguir, lê-se que, caso não se sinta à vontade para atender um paciente, por “fatos que, a seu critério, prejudiquem o bom relacionamento com o paciente ou o pleno desempenho profissional”, o médico pode “renunciar ao atendimento, desde que comunique previamente ao paciente ou a seu representante legal, assegurando-se da continuidade dos cuidados e fornecendo todas as informações necessárias ao médico que lhe suceder”.

 

Inspirada em uma cena do filme Sob Pressão, de Andrucha Waddington, que estreava no mesmo dia, a enquete do Encontro com Fátima Bernardes, como se vê, jamais levaria a lugar nenhum, embora tivesse potencial para detonar uma polêmica incendiária – como de fato aconteceu. Se era essa a intenção do programa, o objetivo foi cumprido. A repercussão foi tanta que Fátima chegou a dizer, como que se defendendo de quem a acusava de proteger o crime, já que seus convidados optaram por salvar o traficante, que escolheria o policial.

 

VEJA.COM

 

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